Como saber qual cerveja é a boa?

Como saber qual cerveja é a boa?

É comum as pessoas me perguntarem se esta ou aquela cerveja é boa. Uma pergunta que parece muito simples mas na verdade tem uma resposta muito mais complexa do que se pensa...

Em primeiro lugar tenho que dizer que não existem cervejas boas e cervejas ruins (obviamente estou excluindo aqui cervejas estragadas ou com algum tipo de defeito), o que existem são gostos diferentes. Para quem está acostumado a tomar uma American Lager como a Skol e gosta muito dessa cerveja (pois é, Brahma, Skol, Itaipava, Heineken e por aí vai não são Pilsen e sim American Lager. Falaremos sobre isso em um próximo post mas, se você gosta de conhecer um pouco mais a cerveja que está tomando, este é o nome correto), por exemplo, ao tomar uma IPA americana provavelmente vai reclamar que é muito amarga, ao tomar uma tripel belga vai reclamar que é doce e ao tomar uma ESB Inglesa vai dizer que está sem gás. E tudo isso não é defeito mas sim características de cada um destes estilos de cerveja.

A cerveja boa é aquela que agrada ao seu paladar

A cerveja boa é aquela que agrada ao seu paladar e combina bem com o momento. Para um domingo de sol na praia talvez uma Stout não seja a melhor pedida porém, fica perfeita para acompanhar um fondue em uma noite fria. Ou não, se você curte a Stout, vá fundo com ela na praia (e prepare-se para morrer de calor... Rs!) Tampouco podemos dizer que a melhor cerveja é aquela que estiver mais gelada, como bem diz o comercial da Kaiser com o Marcelo Tas, cerveja se escolhe pelo sabor (e provavelmente não será a Kaiser, muito embora, não seja a pior das American Lagers populares no Brasil). Cada cerveja tem uma temperatura ideal para consumo mas é um erro acreditar que quanto mais gelada melhor estará a cerveja. A verdade é que quanto mais gelada, menor será a percepção quanto ao sabor e aroma da cerveja. Isso porque a baixa temperatura congela as papilas gustativas e diminuem drasticamente a sensibilidade de sabores. Além disso, nossa língua é capaz de distinguir 5 tipos de sabores: doce, salgado, ácido, amargo e umami (Umami é uma designação relativamente nova que é exemplificado pelo sabor do ácido glutâmico, o popular Ajinomoto). Toda sensação de sabores é causado pela combinação destes além de contar com uma grande ajuda de nosso nariz que percebe milhões de tipos de “cheiros” e ao enviar essa informação para o cerébro, enriquece nossa percepção de sabores. Acontece que em temperaturas baixas os fenóis, ésteres e outras substâncias que dão aroma à cerveja não se evaporam e “empobrecem” a sensação da degustação da cerveja. Para as American Lager não faz tanta diferença pois são cervejas pobres em aroma e sabor porém para outros tipos de cerveja podem fazer toda a diferença.

Podemos ainda analisar o “cuidado” na fabricação da cerveja, que muitas vezes acaba resultando em qualidade no produto final. A Lei alemã de pureza diz que a cerveja só pode conter malte, lúpulo, água e leveduras. As American Lager recebem até 45% de cereais não malteados em seu processo de fabricação (milho, arroz, etc) que acabam diferenciando o produto final. O tipo do malte, sua preparação e a quantidade utilizada influenciam diretamente no tipo da cerveja. A grosso modo, quanto mais malte, mais açucares produzidos que podem resultar em uma cerveja com maior teor alcoólico ou ainda mais açucares residuais (que não significam dulçor na cerveja) que darão a cerveja um corpo mais elevado. O malte torrado poderá ainda ter grande influencia na cor da cerveja e chega a conferir o amargor da torra. O lúpulo é o grande responsável pelo amargor da cerveja além de atuar como um conservante natural. Existem diversos tipos de lúpulo que podem conferir à cerveja, além do amargor, aromas cítricos, florais, frutais, herbáceos, etc. A levedura também tem grande importância no sabor final da cerveja sendo que em alguns casos como as Lambics, são as grandes responsáveis pela principais características da cerveja.

Outro fator que pode influenciar diretamente na qualidade da cerveja é sua “idade” e métodos de armazenamento. Existem cervejas que possuem prazo de validade praticamente indeterminado porém, em sua maioria, as cervejas vão perdendo ou alterando suas características com o passar do tempo. Sendo assim, quanto mais “novas”, as cervejas tendem a ser melhores. O armazenamento inadequado também pode prejudicar bastante a cerveja. Ele deve ser feito em local seco, fresco e longe de luzes fortes. A cerveja não deve sofrer choques e agitações nem tampouco grandes variações de temperatura. O ideal é que ela seja resfriada antes do consumo e depois de fria, não volte à temperatura ambiente. Vale lembrar ainda que cada cerveja tem seu tipo de copo específico que é próprio para “turbinar” os sabores do líquido sagrado. Nem preciso dizer que este deve estar limpo mas, ao contrário do que alguns pensam, não precisa necessariamente estar seco sendo que em alguns casos, como para as cervejas de trigo por exemplo, o copo ligeiramente molhado ajuda na contenção da formação de espuma.

Sem comentários. Só água na boca!!

Bom, escolha com cuidado. Observe os ingredientes, a origem da cerveja, o teor alcoólico e a data da validade mas, mais do que tudo isso, experimente. Sem dúvida você encontrará aquela cerveja que é A BOA para você!!


Escrito por Anderson Nogueira

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